Como tomar decisões certas através de modelos mentais

Boas decisões, as vezes, são difíceis de serem tomadas. Contudo, modelos mentais podem ajudar você a ser mais assertivo em suas decisões.

Você toma decisões o tempo todo. Fazer ou não aquele curso, deixar ou não a empresa, ser empreendedor (a) ou empregado (a)? E por aí vai. Você verá aqui como os modelos mentais podem ajudá-lo a tomar decisões mais assertivas.

A verdade é que as suas escolhas podem fazer a sua vida melhor ou pior, mas boas decisões, às vezes, são difíceis de serem tomadas.

Qualquer que seja a sua área de atuação, seja líder ou não, como disse no curso de Liderança que fiz para você, além da Inteligência Emocional, você também precisa de ferramentas lógicas para conseguir interpretar a realidade.

E é muito provável que você já tenha se deparado com um problema de difícil solução, um nó górdio.

O nó górdio é uma metáfora, que quer dizer um problema aparentemente insolúvel, que só pode ser resolvido se pensarmos “fora da caixa”.

Conta a lenda que um imperador chamado Górdio queria louvar a Zeus por ter lhe proporcionado ser rei quando era um camponês e conduzia carros de bois.

Como exemplo de humildade, ele resolveu amarrar esse mesmo carro numa coluna do templo com um nó tão complexo que ninguém seria capaz de desatá-lo.

Passados 500 anos, isso desafiou Alexandre, o Grande, que, depois de refletir em silêncio, desembainhou a sua espada e, com um golpe forte e rápido, cortou definitivamente o nó.

A partir daí, o termo “desfazer o nó górdio” também indica que sempre há uma forma simples de resolver um problema complexo.

No dia a dia, nós próprios nos iludimos.

Imagine que o seu cérebro é uma caixa de ferramentas com apenas um martelo.

Quantos problemas você resolveria apenas com um martelo?

Como nem tudo na vida é prego, você precisa de outros tipos de ferramentas.

Modelos mentais são assim. São as ferramentas que o seu cérebro e o meu utilizam para enxergar o mundo da nossa própria forma e, assim, encarar os nossos problemas.

Mas a verdade é que temos a tendência de tentar compreender situações novas a partir de vivências enraizadas ou velhos modelos mentais.

Confiamos mais em uma recordação, e isso se chama viés da disponibilidade, que leva a erros de racionalidade e lógica nas nossas decisões.

Preferimos atalhos que podem ser impressões falsas.

Agora, veja como você pode tomar melhores decisões na sua vida.

Antes, eu tenho que falar de Charlie Munger, considerado uma das grandes mentes do mercado financeiro do século XX.

Ele se tornou um bilionário e, você sabe como o mercado financeiro não é nada previsível. Por isso, muita gente tem horror a aplicar dinheiro em ações na bolsa.

Mas você pode estar curioso sobre como Munger fez as suas escolhas para ser tão assertivo.

Ele utilizava vários modelos mentais que formam uma espécie de treliça, um entrelaçado de ideias, que vão se conectando para tomar as melhores decisões.

Agora, reflita, então, sobre essa primeira conclusão:

Posso garantir que você só vai encontrar as melhores saídas na sua profissão ou na vida pessoal se conseguir convergir um conjunto de evidências e conectá-las umas às outras.

E eu quero te apresentar três modelos mentais, para que você possa começar a interpretar a realidade sob novas perspectivas.

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1. O 1º é a Inversão.

O que é isto? O matemático alemão Gustav Jacob afirmava: problemas complexos não devem ser abordados de frente, mas de forma inversa.

Reflita comigo, se você está desenvolvendo um projeto, problemas fazem parte do processo, e não devem ser uma estranha dificuldade para você.

Podemos olhar de forma inversa: em outras palavras, os obstáculos podem ser vistos de outro ângulo, ou seja, como oportunidades.

Quem sou eu para recomendar o que deixará você mais feliz, mas você pode testar em si essa reflexão:

Pode ser que uma forma de viver uma vida mais feliz seja: ao invés de procurar o que compõe uma vida maravilhosa, é possível que seja melhor usar este modelo mental da inversão, pensando, “Como aprender a afastar as coisas que podem tornar os meus dias tristes?”. 

É olhar pelo inverso.

Ou ainda, ao invés de procurar todos os conhecimentos para ser um grande inovador (a), podemos tentar descobrir aqueles bloqueios que podem estar nos impedindo de fazer pequenas inovações.

Libertar aos poucos as nossas amarras emocionais. Deixar fluir mais.

2. A Navalha de Hanlon.

Bem, você deve ter estranhado o termo “navalha”, mas este é um modelo mental que, como o próprio termo “navalha” já diz, significa que você deve cortar aquelas hipóteses irracionais e excessivas do seu ponto de vista sobre as coisas.

No caso de relacionamentos, a navalha de Hanlon nos faz refletir: “Será que o que aconteceu comigo foi proposital ou há alguma coisa que possa explicar essa situação?”.

É claro que você não está sozinho (a) quando, algumas vezes, imagina que o mundo está contra você.

Quando algo dá errado, a nossa tendência é de sempre se justificar ou procurar alguém em quem colocar a culpa — ou, até mesmo, acreditar que a sorte não nos ajuda.

Se o carro falhar de manhã, se o trânsito estiver uma loucura ou se o seu colega de trabalho atrasar o envio de um e-mail, podemos ter a impressão de que o dia não está a nosso favor ou que alguém está nos boicotando.

Como você está vendo, por pura crença enraizada, criamos uma explicação que nem sempre tem comprovações reais a partir dos fatos, ou seja, grande parte das vezes, não é a realidade.

Veja, segundo a conhecida Lei de Murphy, as coisas em algum momento naturalmente vão dar errado.

Se a nossa reação inicial é criar uma explicação para justificar ou culpar alguém, usar o modelo da Navalha de Hanlon é cortar esses vieses cognitivos falsos.

Pensar conforme esse modelo mental de Hanlon nos ajuda a ver a realidade mais racionalmente, como ela realmente é, além de evitar pré-conceitos e maus julgamentos que te impedem de tomar boas decisões.

3. A Navalha de Ockham

A Navalha de Ockham também é chamada de princípio da simplicidade, ou seja, a solução mais simples normalmente é a correta.

Repare como Sherlock Holmes pensava: “Se eu cortar o impossível, o que sobrar, mesmo que improvável, deve ser a verdade”.

Este modelo mental nos leva a pensar que, entre várias hipóteses formuladas sobre as mesmas evidências, é mais racional acreditar na mais simples.

É evitar suposições e complicar demais os nossos problemas.

Ou seja, diante de várias explicações para um problema, a hipótese mais simples tende a ser a mais correta.

Novamente, o sentido da navalha: a hipótese mais complicada deve ser cortada.

Claro, como todo modelo mental, a Navalha de Ockham não é infalível — e pode nem sequer ser recomendada para tomada de decisões realmente difíceis e perigosas.

Nestes casos, reflita ainda mais e, ainda assim, sustente as suas decisões por um número maior de evidências.

Esses três modelos mentais constituem o seu entrelaçado de ideias de que Munger fala.

Pensar assim ajuda  te a manter uma cabeça sempre jovem, porque você estará utilizando novas lentes para enfrentar os seus desafios.

Há muitos outros modelos mentais. Aprender a usá-los é começar a enxergar o mundo por uma nova perspectiva e, assim, ter mais assertividade nas suas interpretações e decisões de escolhas.

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Agora, diferente do que sempre fiz aqui, eu vou ler para você um texto do livro “Humanidade, Uma história otimista do homem”, do autor Rutger Bregman.

Em agosto de 2005, o furacão Katrina atingiu a cidade de Nova Orleans, nos EUA, pondo fim a vida de 1836 pessoas, o que foi, na realidade, um caso extremo.

Mas repare como um modelo mental criado pela mídia pode — de uma catástrofe real — originar outra falsa, extremamente perversa na mente das pessoas.

Quando o furacão Katrina atingiu Nova Orleans, 80% das residências foram inundadas. Realmente, foi um dos maiores desastres da história dos Estados Unidos.

Mas veja só, durante aquela semana inteira, os jornais publicaram inúmeros casos de estupro e tiroteios na cidade.

Houve relatos aterrorizantes de saqueadores e gangues itinerantes, e de atiradores que dispararam em helicópteros de resgate.

No grande abrigo, jornalistas informaram que 25 mil pessoas sem água, nem eletricidade, que duas crianças foram degoladas, e que uma menina de sete anos foi estuprada e morta.

A governadora do estado da Luisiana se expressou assim: “O que mais me deixa furiosa é que desastres como esse costumam expor o que há de pior nas pessoas”.

Essa conclusão viralizou.

Imagine, o próprio jornal inglês The Guardian divulgou:

“Basta remover os itens elementares da vida organizada e civilizada — como alimentos, abrigo e água potável — que algumas pessoas se transformam temporariamente em anjos, enquanto a grande maioria age como primatas”.

Mas, meses mais tarde, as águas da enchente baixaram e pesquisadores descobriram o que de fato havia acontecido em Nova Orleans.

Veja só, o que havia soado como tiros, na verdade, era o estampido da abertura da válvula de escape de um tanque de gás.

Sim, é verdade que no abrigo seis pessoas morreram, mas veja como: quatro mortes naturais, uma por overdose e um suicídio.

O chefe de polícia foi obrigado a reconhecer que não encontrou nenhum registro de caso de estupro ou assassinato.

É verdade que houve saques, mas foram grupos que se organizaram para ajudar e sobreviver — em alguns casos, até em acordo com a polícia. 

Centenas de civis organizaram esquadrões de resgate, como os autodenominados Saqueadores Robin Hood — um grupo de onze amigos que saía em busca de alimentos, roupas e medicamentos para distribuir aos necessitados.

Em resumo, até hoje se acredita que Nova Orleans, logo após o real desastre, foi assolada por anarquia e interesses egoístas. Ao contrário, depois do desastre, a cidade foi inundada sim, mas por coragem e altruísmo.

O furacão confirmou o que a ciência já sabia sobre a reação humana a desastres. Não é como vemos em filmes.

O Centro de Pesquisas de Desastres constatou que, em quase setecentos estudos, jamais houve uma situação de caos total em que se estabeleça o “cada um por si”.

Nunca houve isso. Ao contrário, o estudo mostra que os índices de criminalidade, roubos e estupros  costumam cair.

As pessoas não perdem a razão, elas se unem e resolvem agir. “Seja qual for a extensão dos saques”, diz um pesquisador de desastres “é sempre insignificante em comparação com as boas intenções e com o altruísmo que leva a doações espontâneas”.

Bem, o autor conclui: catástrofes não fazem aflorar o pior das pessoas, mas o melhor delas. A imagem com que a mídia se alimentou foi o oposto do que aconteceu após o desastre.

E aqui, posso trazer de volta a extensão de um modelo mental que se forma por boatos.

Em Nova Orleans, aqueles persistentes boatos custaram vidas.

Preocupados e não querendo se aventurar na cidade sem proteção, os socorristas de fora demoraram a se mobilizar.

Chamaram a Guarda Nacional e 72 mil soldados foram ao local. A governadora chegou a declarar erroneamente: “Esses soldados sabem atirar e matar, e espero que façam isso”.

É verdade que o furacão destruiu Nova Orleans.

Mas a dinâmica durante os desastres é quase sempre a mesma: na adversidade, a reação é muito mais um movimento espontâneo de cooperação.

Vivemos em um mundo construído por uma mistura de notícias, opiniões, crenças, experiências e vieses.

Mas há muitos modelos mentais para nos ajudar além dos três que te apresentei. Todos ampliam as suas perspectivas e maneiras de interpretar e trabalhar, o que pode levar a sua carreira a um nível superior, desfrutando do sucesso que você merece!

Vá em frente!

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