Por que praticamos a auto sabotagem?

Olá, talvez seja muito forte para você, mas o que eu quero que você descubra é de onde vem algumas das nossas limitações, e o porquê de praticarmos a auto sabotagem?

Era 17 de fevereiro de 1989, quando, na Escola Primária Cleveland, Califórnia, durante a hora do recreio das crianças, Patrick Purdy postou-se à beira do pátio e disparou rajadas e mais rajadas de balas 7,22 mm sobre as centenas de crianças que brincavam. Durante sete minutos, espalhou balas pelo pátio. Depois, encostou uma pistola na cabeça e se suicidou. Quando a polícia chegou, havia uma cena trágica.

Daniel Goleman diz:

“Quando visitei a escola, que fica apenas a uma pequena corrida de bicicleta do bairro vizinho da Universidade do Pacífico, fazia cinco meses que Purdy havia transformado o recreio das crianças num pesadelo. Mas na manhã seguinte após o incidente, o cenário do local já havia sido mudado: os buracos de bala e os restos sangrentos do tiroteio haviam sido apagados. O prédio havia sido lavado, pintado e, àquela altura, as mais profundas marcas da tragédia já não estavam mais no prédio. Agora estava apenas na psique das crianças e dos professores, que tentavam continuar a vida normalmente. O que era mais impressionante é que aqueles sete minutos de horror eram revividos repetidas vezes, diante de qualquer coisa que trouxesse a mínima semelhança com a tragédia.”

Um professor disse: “Uma onda de medo assustou as crianças quando foi anunciado que se aproximava o Dia de São Patrick”. Isso porque algumas crianças, de algum modo, imaginaram que o dia era em homenagem ao assassino, que tinha o nome de Patrick Purdy.

Repare como isso afetou-as:

Outro professor disse que, sempre que uma ambulância se dirigia para a casa de repouso que fica ao lado da escola, tudo parava. As crianças perdiam a concentração, para ver se a ambulância iria parar na escola ou se seguiria adiante.

Bem como, muitas crianças tinham medo de ficarem sozinha nos banheiros, porque havia um boato de que uma espécie de monstro se escondia ali. Semanas após o tiroteio, uma menina havia procurado a diretora da escola, berrando:

— Estou ouvindo tiros! Estou ouvindo tiros!

Mas o som era da corrente que balançava num poste onde as crianças brincavam.

As lembranças persistiram, também, através de sonhos desagradáveis, que invadiam o inconsciente das crianças durante o sono. Eram pesadelos com o tiroteio. Algumas tentavam dormir de olhos abertos para não evitar que sonhassem.

Veja você, as associações mentais que se criam depois de um trauma.

Bem, os especialistas conhecem bem estes fenômenos mentais e, longe de mim querer comparar tragédias em grandes escalas com os traumas que todos nós tivemos na infância, mas, menores ou maiores, as nossas experiências emocionais, a forma como nós as encaramos, e o sofrimento decorrente, só cada um de nós pode saber.

A verdade é que, em grande parte das vezes, não nos lembramos mais, mas vivemos ainda hoje muitas das repercussões do que passamos na infância.

E, agora que tenho a certeza de que passei para você a natureza invisível de uma das forças que nos dominam, eu posso começar a responder a você a pergunta que é o título deste vídeo.

Por que nos sabotamos? Por que adotamos atitudes contra nós mesmos, se queremos o melhor para nós?

Veja, tudo o que as crianças queriam era voltar a ter uma vida normal, mas, muito tempo depois, ainda tinham pesadelos durante o sono, instabilidades e perturbações que as prejudicavam no dia a dia.

Bem, voltemos a auto sabotagem?

Por que criamos para nós mesmos obstáculos, para não conseguirmos ser bem sucedidos?

Bem, claro que não quero fazer diagnósticos. Você e eu sabemos que a resposta pode vir de várias origens, mas um dos principais são as experiências emocionais traumatizantes congeladas desde a infância.

Olha que estranho!

Logo depois, por um medo irracional, tanto de vencer quanto de fracassar, passamos a acreditar que não merecemos o que é o melhor para nós.

E assim, não conseguimos progredir, porque o nosso inimigo mais íntimo “não mora ao lado”, mas dentro de nós.

Bem, mas se estamos condenados a uma espécie de filme trágico que se repete em nossa mente, de que forma somos sabotados?

Um tipo de sabotagem é o perfeccionismo — acabamos sempre achando que falta mais e nunca está bom.

O perfeccionista estende os seus tentáculos sobre os outros. Com exigências muito altas, ele se frustra quando alguém não age da maneira que espera. Olha que sofrimento!

Claro que devemos buscar o melhor de nós, mas fica visível quando estamos exagerando — por sabotagem — exatamente para não vermos a conclusão dos nossos objetivos.

Mais uma vertente da auto sabotagem é se colocar no papel de vítima e culpar fatores externos pelo nosso próprio fracasso.

Outra característica do autossabotador é não saber dizer “não”, na tentativa de agradar os outros.

Mas deixe-me limitar as fronteiras do que é de fato bom e o que exorbita: ser cortês com os outros é uma das forças mais poderosas da empatia, mas precisa ser natural e também te dar satisfação. Se, para agradar os outros, isso vai custar a anulação da sua vida por medo de ser rejeitado (a), claramente será um viés negativo para você.

E, finalmente, há uma forma danosa de se auto sabotar, que é pela procrastinação.

Isto é, quando alongamos os nossos prazos, adiamos as nossas entregas, ou deixamos sempre tudo para a última hora.

Eu já havia falado para você de Charlie Chaplin, que disse: “A minha mente pode muito me atormentar e me decepcionar. Mas, quando eu a coloco a serviço do meu coração, é uma valiosa aliada”. E ele diz mais, “Isso é… SABER VIVER!”.

Repare, parece que há um caminho possível nesta frase: “Quando eu coloco a minha mente a serviço do meu coração, é uma valiosa aliada”.

Você deve se perguntar: “Ok, Chaplin, mas como alinhar a minha mente ao que mais quero conquistar?”.

Segundo o psicólogo Daniel Goleman, autor do livro “Inteligência Emocional”, existem algumas competências iniciais que ajudam o indivíduo a parar de se autossabotar e começar a vencer essa força que tem trabalhado contra você.

Uma delas é a AUTOCONSCIÊNCIA, a primeira componente da Inteligência Emocional.

Nesse sentido, repare que, quando trago o tema da autoconsciência, eu sei que posso te remeter ao filósofo Sócrates, que dedicou a sua vida ao autoconhecimento. Mas longe de mim trazer complexidade a você — vamos direto ao ponto.

Se você se autoconscientizar, e se tocar de todas as vezes que se limitar demais, percebendo logo de cara quando aparece aquela voz interna que nega a si mesmo (a) e que diz que você não é bom ou boa o suficiente, já é o primeiro passo.

Você já sabe que esses impulsos têm uma origem na sua mente, mas nós não iremos atrás do que os causou no passado, não vamos atrás dessas causas. O que importa é você perceber quando esses impulsos surgem e o quanto eles estão impactando sobre as suas decisões. É como se você dissesse para si mesmo (a) todas as vezes em que acontecesse: “Pronto, já sei que a minha mente disparou aquele gatilho”. 

Qual deve ser o meu primeiro passo?

Sobretudo, você sabe que tenho te incentivado a adotar um diário para reflexões todas as manhãs antes de sair de casa. Pois é, você pode se avaliar realisticamente todos os dias, sem pressa de logo conseguir grandes mudanças no início. O objetivo aqui é ganhar pontinhos de autoconhecimento diariamente.

Sabe aquela criança que teve um grande trauma com cães? Pois bem, os pais às vezes nem sabem, mas quando presenteiam essas crianças com um pequeno cão, que vai crescendo com elas, acabam ajudando-as a lidar melhor com o grande trauma.

Portanto, reconheça e descreva diariamente aquelas emoções que tem te afetado, os impactos nas pessoas com quem você se relaciona e no seu desempenho profissional. Você vai ver que, muitas das vezes, vai se deparar com emoções como a da menina que pensava estar ouvindo tiros, quando o som era apenas de uma corrente que balançava num poste onde crianças brincavam.

Vá devagar, mas não pare, ok?

Vá em frente!

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Sobre João Francisco

O termo Impact Player nasceu do esporte, sendo associado a jogadores que fazem a diferença apenas por estarem em campo, capazes de elevar a confiança de um grupo com sua presença. 

Ou seja, um Impact Player é aquele que faz jogadas individuais incríveis, no entanto, seu principal valor está no papel estratégico que exerce sobre o seu ambiente, no momento em que sabe que o sucesso não é alcançado repentinamente.

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