Pense de novo – Artigo

Olá,

Você já perdeu uma discussão para um colega teimoso ou achou difícil convencer alguém que pareceu muito sensato num jantar em família?

Pode ser até que tenha passado pela sua cabeça:  

“Se eu tivesse pensado um pouco mais, eu poderia ter derrotado o argumento dele”.

Talvez até você ficou remoendo estes pensamentos e você tenha prometido a si mesmo (a) aguçar sua mente para repensar as suas razões aguardando por um próximo encontro.

Pois é, em um mundo polarizado, dividido e apartado sobre assuntos como política, religião e ciência, por exemplo, Adam Grant em seu livro “Pense de novo” sugere:

“Quem sabe, ao invés de você permanecer com uma ideia fixa de quem não muda, você pudesse usar de um poder a mais, que é o de refletir sob um outro ponto de vista?”

Eu sei, eu sei que você está dizendo para si: mas devo perder minhas convicções e deixar de ser fiel ao que acredito?

Não, o problema é se manter inflexível já que o mundo mais do que nunca é uma roda-viva.

Olhe ao seu redor… por mais que não gostemos ou admitamos, tudo foi extremamente mudado nos últimos tempos. 

Quando fiz meu doutorado, minha área de concentração foi estudar o quanto os smartphones se tornariam uma extensão do nosso trabalho e mais especificamente estudei como isso iria impactar profundamente nas empresas.

Lembro de quando defendi a tese em junho de 2007 já haviam fortes indícios de que as empresas iriam poder estar em qualquer lugar a qualquer momento. E os funcionários também.

Agora, enquanto faço este vídeo percebo o que está acontecendo com a maior velocidade no pós pandemia: as empresas podem funcionar em qualquer lugar e as pessoas podem trabalhar virtualmente em home office de onde quiserem.

pense
Estamos ainda tentando compreender toda a extensão dessa profunda mudança.

As mudanças fazem repensar a nossa forma de produzir, de trabalhar, de se relacionar. Veja que falei, repensar.

Repensar o que conhecemos significa permitir integrar novas informações aos nossos sistemas mentais.

O filósofo Heráclito dizia: Ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra novamente, não se encontra mais as mesmas águas, e nós próprios já nos modificamos. Assim, a contínua transformação está na essência de todas as coisas. Na verdade nada é. Tudo flui.

Bem, você deve estar pensando… se eu interajo e mudo e quando retorno ao lugar que estive ele já mudou, como devo proceder para lidar bem com o devir, que é aquilo que está por vir?

Bom, aqui vamos nos concentrar em como melhorar os relacionamentos, ok? 

Em 1° lugar:

Para que você consiga melhor influenciar as pessoas estando além dos desgastes de uma polarização de ideias, a primeira ação é encontrar um terreno comum com a outra pessoa.

Esqueça a ideia de que um debate ou uma discussão é um cabo de guerra, onde se pudermos atingir nosso “oponente” com razoes suficientes o arrastaremos para o nosso lado. Não funciona desta maneira. 

Veja essa metáfora:

Negociadores habilidosos interpretam o debate como uma dança. Por que a dança? É que nesta você dá passos para a frente e se permite dar passos para trás, mas não perde o principal que é o parceiro (a) e a própria harmonia e beleza da dança. 

Os bons negociadores sabem que dar um passo para trás em alguns momentos de uma discussão, debate. Dá a outra pessoa também o espaço para dar um passo à frente. Já os negociadores medianos se armam com razoes lógicas para provar que o outro está errado e sequer reconhecem algo sensato do posicionamento contrário. 

Portanto, da próxima vez que você entrar em qualquer negociação, seja com com filhos, colegas, clientes, sócios, lembre-se de não vencer todas as batalhas. 

Veja, concordar com alguns dos argumentos de seu parceiro e encontrar um terreno comum irá, na verdade, incentivá-lo a ficar do seu lado. Interessante, não é? 

Em 2° lugar:

Bem, em segundo lugar, os grandes negociadores também conseguem mais com menos argumentos.

Talvez você imagine que os debates são como estar em lados opostos de uma balança e se você puder pesar seu lado com argumentos suficientes, você inclina a balança e ganha.

Mas isto não é uma realidade. Os melhores negociadores não se limitam a acumular argumentos. Em vez disso, eles apresentam um ou dois argumentos fortes a favor de seu caso. Isso porque eles sabem que argumentos mais fracos atenua o poder do mais forte. Tira a energia do que de fato é relevante. 

Em 3° lugar:

E por fim, o terceiro. Negociadores medianos agem como pregadores, promotores de uma ideia ou querem impor a você uma crença. E nem sempre você está preparado(a).

Já os negociadores experientes agem mais a partir de perguntas e investigando mais a forma de pensar das pessoas.

O autor chama isso de uma abordagem de “cientista” que é preparar-se muito mais com perguntas do que com respostas. Fazem perguntas como: Você consegue enxergar alguma verdade sobre o meu posicionamento? 

Mas claro, sempre fundamentado em argumentos fortes e sólidos. 

Portanto, se você quer que alguém repense seus conceitos, não é suficiente mostrar por que as crenças dele estão erradas. A mensagem principal aqui é: você pode influenciar muito mais alguém se fizer as perguntas certas e assim ir aprofundando a sua convicção. 

Mas como na dança, o fato de dar um passo atrás por você ter dúvidas não torna você mais fraco. O verdadeiro progresso e crescimento pessoal nasce de você se permitir reavaliar constantemente suas ideias e opiniões. 

Lembra do vídeo “Qual é o seu mindset” que fiz para você? Lá eu dizia que precisamos nos tornar eternos aprendizes.

Quando você dá o seu melhor e mesmo assim se equivoca e erra, ainda assim está tudo bem com você, desde que se permita repensar, rever e reaprender.

Portanto, evite sempre “forçar a barra”. Cultive os seus princípios e valores, não suas crenças definitivas.

Essa semana, eu lancei um novo curso que fiz pensando em você, chamado: Liderando com Inteligência Emocional, se você se interessa pelo tema, clique aqui e conheça mais.

Vá em frente!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

O que você procura?

Sobre João Francisco

O termo Impact Player nasceu do esporte, sendo associado a jogadores que fazem a diferença apenas por estarem em campo, capazes de elevar a confiança de um grupo com sua presença. 

Ou seja, um Impact Player é aquele que faz jogadas individuais incríveis, no entanto, seu principal valor está no papel estratégico que exerce sobre o seu ambiente, no momento em que sabe que o sucesso não é alcançado repentinamente.

Posts recentes

Posts populares

Open chat
Podemos Ajudar?