Falar em público é como andar de bicicleta

falar em público

Você se lembra da primeira vez que andou de bicicleta? Lembra da incrível experiência sobre duas rodas sem levar um tombo? Bem, se você não se lembra desse momento, assim como eu não me lembro, fique tranquilo, pois esse momento de perfeição na primeira tentativa é irreal, isso não existe. Também é assim quando você vai falar em público.

Andar de bicicleta é um processo repleto de tentativas que nos marcam os joelhos e nos fazem cair. Mas aí você insiste, insiste e uma hora está percorrendo quilômetros, sem nem pensar na próxima pedalada. É exatamente isso que pode acontecer com a sua oratória. Esta que pode ajudar nas suas relações interpessoais.

Bem, se você já acredita que esse conteúdo poderá ajudar você, peço que se inscreva no blog e depois compartilhe comigo nos comentários se fui útil para você de alguma forma. Vou adorar saber! 

Mas então, como ter uma melhor  performance na sua comunicação?

Antes de tudo, é importante pensar no seu objetivo. Que ideia você deseja transmitir com a sua fala? Depois, pense nas palavras que você utilizará somada à linguagem corporal. É assim que a sua personalidade é manifestada. Aliás, já tem vídeo aqui no canal sobre linguagem corporal, que convido você a assistir para que melhore ainda mais a sua comunicação em público.

E por falar em público não me refiro apenas a falar para uma multidão, pois uma pessoa já é um público. O que você precisa é saber a melhor maneira de conversar, diretamente ou não, com essa ou essas pessoas, de modo que quem assiste você, não queira fazer outra coisa a não ser estar atenta ao que você tem a dizer. 

Para isso, para que você seja capaz de despertar a atenção das pessoas, é essencial que você se coloque em apenas um tempo: o tempo presente. Trate de vivenciar o momento, com um pensamento por vez, seja em uma reunião, em uma conversa com alguém ou em uma grande apresentação.

Concentre-se no agora

Eu sei, geralmente não é assim, eu mesmo já fui vítima do medo em uma apresentação lá no início de minha carreira. Simplesmente travei diante de um público de mais de mil pessoas e tive que sair sem apresentar minhas ideias. O que acontece é que quando transmitimos uma ideia, não deixamos que ela se desenvolva e já estamos preocupados, pensando no que iremos falar a seguir.

Mas concentrar-se no agora abranda o pensamento acelerado, que é isso que faz com que a mente fique repleta de informações, além de fazer com  que você seja contagiado pelo estresse e pela insegurança, evitando que a sua linguagem corporal seja coerente  a sua comunicação verbal. 

Como uma boa oratória pode ajudar na sua comunicação

Veja, você só alcança um objetivo se o define bem, criando um caminho até ele, certo? Desse mesmo modo, sugiro a você que tenha clareza quanto à mensagem que deseja passar com o seu discurso.

Se o seu objetivo é inspirar, se conectar com as pessoas, acrescente um pouco de emoção, e se a ideia é engajar um grupo de pessoas para uma causa, uma boa alternativa é fazer uso de argumentos consistentes, bem embasados. 

Entretanto, sabemos que não existem fórmulas de como devemos ser, diria que o segredo está na união entre o seu ser racional e as suas emoções. É este conjunto que comunica. Quando você incorpora uma expressão facial, por exemplo, está unindo esse conjunto de razão e emoção, pois seu corpo reage à informação que seu cérebro processa. Ao falar em público, então, perceba se seu rosto e os gestos das mãos seguem em sintonia com o que você diz.

Discurso claro e coeso

Além disso, evite ser sofisticado nas suas frases, mas sim preocupe-se em passar o seu discurso de forma clara e coesa. 

Treine sempre para incluir storytellings, ou seja, uma forma de contar suas histórias de um jeito interessante. Faça com que as palavras que saem da sua boca criem uma jornada a ser compartilhada com seus ouvintes, e busque gerar sentido com exatamente tudo o que você fala. Isso é muito mais valoroso do que tentar caçar palavras rebuscadas para tornar a sua comunicação mais rica. 

Como uma boa oratória pode ajudar na sua comunicação

Se comunique com os olhos

Outra coisa que preciso falar é: se comunique com os olhos. Não há nada mais desagradável do que alguém que fala olhando para o chão ou para o teto. Algumas pessoas se queixam de não ter a atenção dos outros, mas elas mesmas estão falando para as paredes. Seja em uma entrevista com apenas um recrutador ou numa palestra repleta de pessoas, mire a multidão, se atente ao horizonte.

E claro, caso você ache essa atitude um tanto quanto intimidadora, busque apoio em um ponto específico e vez ou outra mude esse ponto para que você possa circular seu olhar sem perder a atenção de quem assiste você. Aproveite para observar os sinais do seu interlocutor pois eles nos servem como uma espécie de feedback silencioso. A partir deles, busque se aprimorar ainda mais. 

Seja você mesmo

Seja você mesmo

Outro elemento extremamente importante para a sua oratória é: seja real, seja você mesmo! Não busque representar como numa peça de teatro, pelo contrário, seja autêntico, pois é assim que você irá conquistar, verdadeiramente, a atenção das pessoas.

Por isso, não busque a perfeição, pois ela é irreal, você não a encontrará. Muito mais inteligente é procurar se conhecer cada vez mais a ponto de ser capaz de transmitir sua essência, exatamente aquilo que você é. 

Humanize o seu discurso

Outro ponto para que você desenvolva uma ótima oratória é: humanize o seu discurso, sempre que possível. Veja, se você quer realmente estabelecer uma comunicação que se conecte com as pessoas, enlace as suas vivências à sua fala e mostre que você é humano. Claro que, algumas pessoas se perdem ao transformar uma apresentação em público em uma autobiografia desalinhada com o tema. Use a sua história a seu favor para criar vínculo com os outros.

Você pode transmitir paixão com a sua fala e manifestar o prazer que é para você estar em determinada situação. Busque explorar isso, e evite o erro de apenas falar e não se preocupar em interpretar o que as pessoas estão sentindo.

Como uma boa oratória pode ajudar na sua comunicação

O seu foco deve ser gerar sentido, deve ser uma troca, e isso não é possível se falamos palavras “quase decoradas” de maneira individual. Lembre-se então do valor da empatia ao saber que existe o tempo de fala e o tempo de percepção e escuta. 

Evite a monotonia

No tempo de fala, evite a monotonia. Para isso, Dale Carnegie, escritor e orador norte-americano, sugere que você dê ênfase nas palavras mais importantes da sua frase, aquelas que merecem ser destacadas. Isso ajuda a dar o tom que você deseja ao falar.

Grave isso, pois é extremamente valioso: a comunicação não é feita só de palavras, mas também da energia que você aplica a sua voz e comunicação corporal como gestos e o rosto, como já comentei anteriormente.

Recomendação extra

Como uma boa oratória pode ajudar na sua comunicação

Mas se caso mesmo com todos esses conselhos, você ainda sentir que não está pronto para falar em público ou que não é bom o suficiente para entonar sua voz, vou dar a você um recomendação extra, e garanto que essa será imbatível: treine! Parece muito óbvio isso, mas somente com a prática você irá melhorar mais e mais. 

Treine com um grupo menor, vá ganhando confiança passo por passo como tudo o que ensino aqui. Você sabe que sou adepto de empoderar você a partir dos mini hábitos. Então estude sua oratória, leia em voz alta e se observe ao falar e movimentar seu corpo no espaço. Tente perceber possíveis situações ou temas que travam você, que distanciam você de uma comunicação eficiente. Depois, se ocupe em aperfeiçoar o que precisa ser melhorado. 

E tem mais uma coisa: caso você – em algum momento – tropece ao falar ou se perca em uma ou outra ideia, quero dizer que isso é normal. Afinal, como comparei no início, não conheci ninguém que não tenha desequilibrado, em algum momento, ao andar de bicicleta.

Quanto a isso, acho válido destacar o pensamento de Carnegie ao afirmar que “falar não é uma questão de se tornar destemido; é uma questão de dominar o seu medo.” Então o que você está esperando para  começar aos poucos a dominar o seu medo e entonar a sua voz ao mundo?

Ah, não saia sem me contar se você faz parte do extenso grupo de pessoas que travam ou se sentem inseguros ao falar em público. Vamos trabalhar para melhorar isso. 

Vá em frente! 


2 respostas

  1. Olá! Como fazer quando uma pessoa tem leitura lenta desde a infância? Aliás, nunca teve uma leitura fluída. Isso é alguma patologia? Pode ser decorrente de algum trauma de infância? Como resolver uma situação desta? Grato!

    1. Olá Kleber, me preocupa sempre sair daqui oferecendo conselhos sobre áreas muito especializadas. Sempre recomendo que se a pessoa tem dúvidas sobre patologias deve consultar alguém que você confie nesta área e se livrar dessa dúvida definitivamente. Entretanto, posso garantir a você que vivemos uma época em que parece que tudo pode ser encarado como patologia. Fora casos muito especiais, me parece que estamos nos excedendo nos diagnósticos penando quem está fora do dito “padrão”. Mas deixe-me apresentar a minha opinião:
      A leitura lenta pode ser uma vantagem ( se não lhe incomodar tanto, claro), porque permite que a pessoa assimile melhor os conhecimentos. O autor Peter Burke, no livro “Plímata” diz que o volume de informações que nos chegam não permitem o “cozimento”, que é uma figura de linguagem para dizer que não assimilamos, porque o volume de informações que nos chegam já nos trazem ansiedade. Há excesso de informações. No passado eu fiz curso de leitura rápida, mas isso perdeu o sentido na atualidade. Hoje se faz cursos de leitura lenta, ( veja que paradoxo!) porque estamos por demais ansiosos e não usufruímos mais de todo o potencial que a leitura pode nos dar. Assim, olhado de outro angulo, o ler de forma mais lenta, como diz, Mortmer Adler, em seu livro “Como ler livros”, o ler lento é uma leitura de iluminação. O propósito não é apenas conhecer os fatos, mas compreender as ideias com compreensão máxima.
      Assim, Kleber, antes de patologias penso que podemos pensar que somos diferentes e se isso não nos angustia pode ser um grande diferencial positivo. Abração. JFran.

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Sobre João Francisco

O termo Impact Player nasceu do esporte, sendo associado a jogadores que fazem a diferença apenas por estarem em campo, capazes de elevar a confiança de um grupo com sua presença. 

Ou seja, um Impact Player é aquele que faz jogadas individuais incríveis, no entanto, seu principal valor está no papel estratégico que exerce sobre o seu ambiente, no momento em que sabe que o sucesso não é alcançado repentinamente.

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