Como ganhar a confiança dos outros com a Inteligência Emocional

As duas perguntas mais instigantes que já tive de responder sobre a Inteligência Emocional vieram de comentários no canal.

Eu vou respondê-las aqui porque sei que tem tudo a ver também com você.

Vamos lá! A primeira foi:

– João Francisco, eu fiquei muito curioso com o seu vídeo sobre a inteligência emocional, mas desde então uma pergunta não me sai da cabeça:

– Se tenho que ter o controle total de minhas emoções isso não me tornaria uma pessoa extremamente fria, calculista?

E a segunda foi:

– As vezes quero defender uma ideia, um trabalho e tenho dificuldades em ser compreendido (a).  Como faço para ganhar mais a confiança dos outros?

Vamos direto ao assunto.

Você ganhará muito conhecimento pratico para logo aplicar em seu dia a dia.

Bem, você imaginou que a inteligência emocional – como todo remédio bom – também traz em si um efeito colateral do qual você não gostaria de se submeter, não é?

Pois é, mas posso garantir que não passa de um susto.

E para responder a você eu vou me refugiar na ciência.

Quero que Daniel Goleman, autor de inteligência emocional, responda a você em suas próprias palavras.

A disputa constante entre as duas mentes

E ele começaria assim: “as nossas emoções é que moldam nosso caráter, a nossa maneira de ser e como os outros nos veem”.
Nossos pais já diziam: ora agimos com a cabeça e ora com o coração.

Pois é, são as nossas  duas mentes mesmo, a racional e a emocional.

Na maior parte do tempo elas são amigas e operam em estreita harmonia.

A mente emocional alimenta a racional com sentimentos e convicções mais profundas.

Já a mente racional que é mais intelectual, refina as ações que você toma no dia a dia.

Mas, como nada é perfeito, essas duas mentes também entram em crise.

A racional nem sempre consegue se impor mas, na maioria das vezes, ela veta a entrada de emoções que podem nos desagradar.

Então, o que estou falando é:

Este equilíbrio entre as duas mentes é o que torna a sua vida mais rica.

E Goleman encerraria assim a sua explicação a você:

“quando eu falo em controlar emoções, estou me referindo a aquelas realmente estressantes e incapacitantes”.

Aquelas que podem deprimir você e prejudicar as suas relações interpessoais.

E você pode imaginar as perdas que sofremos quando não nos relacionamos bem no trabalho, na família, no clube, enfim…

Percebeu os tipos de emoções que falo em controlar?

Os três pilares da confiança em você

Bem, vamos agora responder a 2ª. pergunta, sabendo como ganhar mais a confiança das pessoas que rodeiam você.

E mais: conquistar os outros a aceitarem as suas ideias, obter mais o sim das pessoas que é também um importante requisito da liderança.

E mais uma vez, vamos direto ao ponto!

Segundo Frances Frei, professora de Harvard, a confiança depende de 3 pilares.

O 1º. é o quanto você se apresenta como verdadeiro. Vamos simplificar definindo chamando apenas de : autenticidade.

O 2º. é a clareza dos argumentos racionais que você utiliza para defender as suas ideias. Podemos chama-lo de lógica.

O 3º. e último ponto é o quanto a pessoa que está a sua frente sente que tem a sua atenção plena. Vamos chama-lo de empatia.

Repare que qualquer oscilação num desses 3 elementos, com certeza, abalará a confiança em você.

Se para alguém a sua confiança já está ameaçada, avalie estes três elementos e descubra onde está o ponto em que você deve dedicar atenção.

Reveja seu posicionamento até aqui e planeje os próximos passos para recuperar o equilíbrio da sua relação.

A boa notícia é que se você resolver começar, poderá já começar a transmitir muito mais confiança do que você tem conseguido demonstrar até os dias de hoje.

E assim, cada dia será melhor para você.

Ser autêntico é difícil?

Bem, há algo que você deve saber a mais sobre a autenticidade.

As pessoas percebem logo quando alguém age somente para agradar.

Quando uma vez falei em autenticidade algumas pessoas responderam que – por medo – jamais iriam discordar do seu superior para não desagradá-lo.

Mas quero ajudar você dizendo que, não é o fato de pensar diferente que põe sua confiança em risco.

É sim, na forma de você se posicionar, de você transmitir a sua opinião.

Imagine você que o seu superior agende uma reunião para apresentar uma nova ideia ao seu time.

Neste momento, você – publicamente, num impulso – logo manifeste discordar.

É claro que pode ser que ele não tenha se assegurado de todas as implicações.

Mas, vamos nos colocar no lugar dele.

Talvez tivesse estudado por horas a fio até decidir apresentar a proposta ao grupo em reunião.

Como nos sentiríamos se estivéssemos no lugar dele?

Agora simule mentalmente a mesma situação.

E repare, não quero sugerir sugerindo a você esconder o seu pensamento.

Você não silenciará, mas apresentará sua opinião de uma forma diferente.

Você pode usar outra estratégia perguntando assim:

– Como ainda não consegui enxergar toda a perspectiva da sua ideia, como você faria em tal situação?

É apenas um exemplo, mas você percebeu?

Pessoas olham pela mesma janela e veem coisas diferentes

É possível que ele tenha olhado para as mesmas coisas que você, mas interpretado sob outro ponto de vista.

Nós precisamos reconhecer que pessoas veem diferente uma das outras.

Olhe para esse exemplo:

As primeiras  impressões podem nos iludir.

Dê um tempo para você, antes de concluir qualquer coisa.

Coloque-se com o olhar de aprendiz.

Se você se pergunta, como posso ver como o outro, estará agindo de forma incrivelmente proativa e autêntica.

Poderá até acontecer que o outro a reveja a sua posição e ao invés de perder, você estará ganhando mais confiança com ele.

Seja autêntico, portanto, mas use da sua inteligência emocional.

O que mais importa é a sua forma de se comunicar

Vamos ao 2º. pilar que é a lógica.

Em geral quando queremos aliados para as nossas ideias, nossos argumentos são bons.

Entretanto, a nossa capacidade de nos comunicar  é que nos deixa em perigo.

A maioria das pessoas expõem suas narrativas de duas formas:

Começamos a defender nossas ideias conduzindo a mente do outro por uma jornada com voltas e reviravoltas, deixamos um pouco de mistério e só lá no final concluímos a nossa ideia principal.

Como diz Frances Frei, alguns dos melhores comunicadores do mundo usam esse formato e são profundamente especialistas nessa técnica.

Mas há um perigo para você.

Se fizer a sua narrativa criando dramas, mistérios e só vai revelar mesmo a sua intenção no ponto final, há um grande risco de você perder o seu interlocutor no meio do caminho.

Se por exemplo, você for interrompido antes do final, as pessoas não chegarão a conhecer as suas intenções.

A autora sugere que você faça diferente.

Inverta o triângulo que desenhei para você.

Comece pelo ponto mais importante com uma frase fortemente emocional que impressione.

Depois vá usando de várias evidências de apoio que reforcem mais e mais a sua ideia principal para que as pessoas acompanhem com interesse a sua narrativa até o final.

Veja a diferença: se você dispuser de pouco tempo ou por qualquer razão você for interrompido, a sua ideia principal já estará conhecida pelo seu interlocutor.

E claro, muito mais chances de conquistar o outro para a sua causa, o seu objetivo.

Você já é empático! Agora faça por merecer!

O 3º. pilar da confiança é o mais crítico deles: a empatia

É que nessa correria toda  você está tão ocupado com tantas exigências do seu dia a dia, que é fácil sonegar o tempo que a empatia exige.

E isso se torna um circulo vicioso a ponto de você não dispor de tempo para mais ninguém.

Mas não temos dúvidas, que sem desenvolver a empatia tudo se torna mais difícil para você.

E quer saber por que eu tenho certeza de que se você quiser você será empático (a)?

Mexa agora com a sua imaginação.

Tente se lembrar de uma pessoa que você saiba que se identifica e se sente a vontade com você.

Veja você foi capaz de criar empatia com essa pessoa.

Então, você sabe o como fazer!

Vamos relembrar a receita?

1-   Identifique a pessoa ou as pessoas que você necessite desenvolver empatia;

2-  Desligue o seu celular, olhe atentamente para ela, escute-a com o ouvido, olhos e coração. ( eu fiz um vídeo para você só sobre esse assunto: veja no link)

Em seguida, com a humildade de um aprendiz, mergulhe profundamente nas perspectivas dela ver as coisas;

3-  Deixe que a outra pessoa perceba que você confia nela para despertar a “química” do sentimento persuasivo da reciprocidade.

Esse gatilho mental a fará confiar também em você.

Perceba os outros não tem como dar a confiança a você.

É uma conquista unicamente sua.

Trabalhe cada dia para gostar ainda mais de você mesmo (a) se conscientizando de que é merecedor da confiança dos outros.
Para concluir deixo um presente para você:

O que tem a ver Charlie Chaplin com a Inteligência Emocional?

Você já deve ter visto, muitas vezes, a foto do Charles Chaplin preso à parede juntamente com meus livros.

Sempre me tocou o fato de que pela  inocência de seus personagens ele sempre tentou nos fazer acordar para o complexo mundo das emoções.

Sempre tentou nos inspirar pelo poder que a simplicidade e a transparência podem fazer por nós, para nos melhorarmos como pessoas.

Antes de morrer escreveu:

“Quando me amei de verdade, percebi que a minha angústia e o meu sofrimento emocional não são mais que sinais de que estou agindo contra as minhas próprias verdades. Hoje sei que isso é… autenticidade”.

“Quando me amei de verdade, desisti de querer ter sempre razão e, com isso, errei muito menos. Assim descobri a… humildade”.

“Quando me amei de verdade, compreendi que a minha mente pode me atormentar e muito me decepcionar. mas quando eu a coloco a serviço do meu coração, ela é uma aliada valiosa. e isso é… saber viver!”

E assim, quero encerrar essa série da inteligência emocional por aqui.

Os livros que recomendo a você para ir construindo aos poucos a sua biblioteca são: Inteligência emocional e o Poder da Inteligência emocional, ambos de Daniel Goleman.

Vá em frente!!

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Sobre João Francisco

O termo Impact Player nasceu do esporte, sendo associado a jogadores que fazem a diferença apenas por estarem em campo, capazes de elevar a confiança de um grupo com sua presença. 

Ou seja, um Impact Player é aquele que faz jogadas individuais incríveis, no entanto, seu principal valor está no papel estratégico que exerce sobre o seu ambiente, no momento em que sabe que o sucesso não é alcançado repentinamente.

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